O Instituto Paulo Freire presta sua homenagem ao homem que, assim como Paulo Freire, optou por estar com os "esfarrapados do mundo”.
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Dom Paulo Evaristo Arns e Paulo Freire, na Conferência do "Diabolismo e do Simbolismo", no TUCA - Teatro da Pontificia Universidade Católica (PUC-SP). |
Dom Paulo Evaristo Arns morreu nesta quarta-feira, dia 14/12, vítima de uma broncopneumonia. Uma vida toda em defesa dos direitos humanos; uma voz potente e desafiadora contra o regime militar. Assim como Paulo Freire, sua opção foi estar com os "esfarrapados do mundo" e, junto com eles, lutar por um mundo mais humano e justo para todos. Em 1970, quando assumiu a Arquidiocese de São Paulo, a segunda maior comunidade católica do mundo, vendeu a residência oficial do arcebispo, e, com os recursos, praticou a igreja comprometida com os pobres.
"Venho do meio do povo desta Arquidiocese a que já pertencia, do clero a quem amo e de quem sou irmão, dos religiosos que comigo se esforçam para serem sinal e esperança dos bens que estão para chegar, dos leigos que entendem o serviço aos irmãos como tarefa essencial de sua existência."
Sua atuação contundente e destemida em relação ao processo de anistia e redemocratização do país contribuiu significativamente para o retorno de muitos exilados, entre eles Paulo Freire. Ainda quando estava na Europa, Dom Paulo fez o convite a Paulo Freire para que lecionasse na PUC de São Paulo. Nesta universidade, compartilharam momentos ímpares de diálogos em torno do compromisso com os silenciados do mundo e de esperança nos seres humanos como sujeitos da história. Um homem marcado pela solidariedade, coragem, ousadia em defesa da liberdade e da justiça social. O Instituto Paulo Freire presta sua homenagem ao "Cardeal da Esperança".