Diversidade, equidade racial e cuidado com a vida  pautam o 3º Encontro Presencial de Assessorias e Formações do ALFA-EJA Brasil no Norte e Nordeste

Ao longo do mês de maio e início de junho de 2026, o projeto ALFA-EJA Brasil realiza o 3º Encontro Presencial de Assessoria e Formação nos 15 municípios contemplados pela iniciativa. A programação reúne gestores da Educação de Jovens e Adultos (EJA), equipes pedagógicas, professores, educadores populares e representantes de movimentos sociais em torno de debates sobre diversidade, equidade, cuidado com a vida e fortalecimento dos territórios educativos.

Os encontros acontecem nos municípios de Belém (PA), Oiapoque (AP), Carauari (AM), Coari (AM), Fortaleza (CE), Caucaia (CE), Icapuí (CE), Alto do Rodrigues (RN), Conde (BA), São Francisco do Conde (BA), Araçás (BA), Brejo Grande (SE), Santa Luzia do Itanhy (SE), Ipojuca (PE) e Cabo de Santo Agostinho (PE), fortalecendo redes locais de educação, participação social  e ampliando o diálogo entre territórios diversos.

As formações foram planejadas a partir do Tema Gerador 2 — “Educação Popular, diversidade, biointeração e confluência: sujeitos, identidades, territórios e cuidado com a vida” — e estruturados em quatro Círculos de Cultura. Cada atividade ocupa um turno da programação e propõe vivências coletivas, rodas de diálogo e construção de práticas pedagógicas voltadas à inclusão e à permanência dos educandos da EJA.

Diversidade e práticas acolhedoras
O primeiro Círculo de Cultura, “Varal das diversidades e os Inéditos Viáveis”, propõe reflexões sobre identidade, pertencimento e combate às desigualdades no contexto da EJA. A atividade parte de dinâmicas coletivas inspiradas na pedagogia freireana para discutir os desafios enfrentados pelos educandos e construir estratégias pedagógicas acolhedoras e antidiscriminatórias. Ao final, os participantes elaboram agendas de cuidado e acolhimento conectadas às realidades de cada território.

Equidade racial e enfrentamento ao racismo
No segundo momento formativo, o tema “Cor, etnia: equidade racial na nossa história” mobiliza debates sobre racismo estrutural, preconceito racial e práticas antirracistas nas escolas. As atividades incluem reflexões sobre identidade racial, análise de expressões discriminatórias presentes no cotidiano e construção coletiva de propostas pedagógicas voltadas ao enfrentamento do racismo e à valorização das identidades, memórias e saberes historicamente invisibilizados.  O círculo também promove discussões sobre as intersecções entre raça, classe e gênero na educação.

Território, meio ambiente e cuidado com a vida
As questões socioambientais ganham centralidade no terceiro Círculo de Cultura, “O território como espaço de cuidado”. A proposta estimula os participantes a refletirem sobre as relações entre meio ambiente, saúde, sustentabilidade e bem viver. A partir de memórias do território, exposições fotográficas e rodas de conversa, educadores e gestores debatem práticas de preservação ambiental e constroem propostas de intervenção voltadas à transformação dos espaços comunitários e escolares.

Assessoria pedagógica e fortalecimento das redes de proteção
Encerrando a programação, o quarto Círculo de Cultura reúne equipes técnicas das secretarias municipais de educação para discutir práticas de assessoria pedagógica e fortalecimento das redes de proteção social. O encontro aborda temas como acolhimento, relações interpessoais, permanência dos estudantes da EJA e articulação com áreas como saúde, assistência social, cultura e transporte. Também estão previstos diálogos sobre o acompanhamento das ações formativas e a preparação do 4º Encontro Presencial de Formação, incluindo a realização de um Seminário de Práticas.

Com foco na educação popular e no fortalecimento das políticas públicas para jovens, adultos e idosos, o 3º Encontro Presencial de Assessoria e Formação reafirma o compromisso do ALFA-EJA Brasil com práticas educativas inclusivas, dialógicas e conectadas às realidades dos territórios.

Formação que fortalecem práticas e amplia olhares
Os debates promovidos durante o 3º Encontro Presencial de Assessoria e Formação já começam a repercutir no cotidiano de educadores e educadoras da EJA. Para muitos participantes, os temas abordados — especialmente diversidade, identidade e equidade racial — fortalecem práticas pedagógicas mais inclusivas e conectadas às realidades dos estudantes.

A educadora popular Alessandra Cardoso, do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), destacou a importância das reflexões sobre raça e identidade cultural. “Nessa formação trabalhamos sobre raça. Foi muito importante quanto à identidade cultural. Tudo aqui foi construído com singularidade para nós, educadores, despertarmos esse conceito fundamental junto aos estudantes da EJA. Valorizar essas discussões tem um significado muito especial para quem atua com um movimento que traz fortemente questões de ancestralidade, identidade e cultura”, afirmou.

Essa percepção também é compartilhada por Mateus Tapeba, educador e liderança do povo indígena Tapeba, em Caucaia (CE), que atua em duas escolas indígenas da região. Segundo ele, a formação contribui para ampliar o debate sobre etnia e raça e fortalecer ações de enfrentamento ao preconceito. “A formação do ALFA-EJA Brasil trouxe um tema muito importante, que é a questão da etnia e da raça. Esse debate ajuda a fortalecer a luta contra o preconceito, porque sabemos que ainda vivemos em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural. Muitas vezes, até sem querer, acabamos reproduzindo algumas práticas. Por isso, é muito importante levar essa reflexão para a sala de aula, para tentar quebrar e diminuir cada vez mais o preconceito e o racismo em nossa sociedade”, destacou.

Assim, ao promover espaços de diálogo e formação continuada, o ALFA-EJA Brasil fortalece o papel dos educadores como sujeitos comprometidos com a construção coletiva de práticas educativas cada vez mais acolhedoras, inclusivas e comprometidas com a diversidade dos sujeitos da EJA.

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