Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira

A vida e a obra de Paulo Freire foram marcadas por sua clara opção a favor dos oprimidos. Nascido em uma região pobre do país - Recife, Pernambuco, em 1921 - ele pôde, desde cedo, observar as dificuldades de sobrevivência das classes desfavorecidas. Talvez daí tenha vindo a sua indignação contra as injustiças e seu grande desejo: a transformação da sociedade que, segundo ele, devia ser menos autoritária, discriminatória e desigual.

 

A sua prática na educação, ou sua práxis educativa, como ele preferia chamar, foi sempre coerente com o seu sonho de democracia, desde os tempos de professor de escola, até aqueles em que passou a criador de ideias e "métodos", os quais assistiu serem reconhecidos e divulgados pelo mundo.


Paulo Freire foi um pioneiro no Brasil na utilização dos meios de comunicação social. A utilização de slides, do cinema, teatro, vídeo e televisão faz parte essencial do seu método de alfabetização de adultos. A sua opinião em relação ao uso da informática não poderia ser diferente. O que ele sempre sublinha, contudo, é que as poderosas ferramentas de trabalho da telemática estão ainda restritas a um público muito pequeno; ainda não foram democratizadas, aumentando a distância existente entre os jovens de classes populares e os jovens de classes média e alta. GADOTTI, Moacir. Paulo Freire: uma biobibliografia. Ed. Cortez, 1996.


Nesta trajetória, marcada por uma postura político-ideológica que vislumbra sempre a superação das relações de opressão, se destacam a coragem e a luta – sua verdadeira ideia de felicidade. Seja nas salas da Universidade do Recife, onde ensaiou os primeiros passos de sua filosofia educacional ou nas primeiras experiências de alfabetização/ conscientização de adultos – como a de Angicos, Rio Grande do Norte (1963) - Freire ficou conhecido como educador voltado para as questões do povo.Nesta trajetória, marcada por uma postura político-ideológica que vislumbra sempre a superação das relações de opressão, se destacam a coragem e a luta – sua verdadeira ideia de felicidade. Seja nas salas da Universidade do Recife, onde ensaiou os primeiros passos de sua filosofia educacional ou nas primeiras experiências de alfabetização/ conscientização de adultos – como a de Angicos, Rio Grande do Norte (1963) - Freire ficou conhecido como educador voltado para as questões do povo.


A convite do governo Goulart, Freire coordenou, no Brasil, o Programa Nacional de Alfabetização, usando o "Método" de alfabetização criado por ele e que deveria atingir 5 milhões de adultos, possíveis eleitores nas próximas eleições. Como o "Método Paulo Freire" não trata apenas de alfabetizar, mas também de politizar, os alfabetizandos eram levados a perceber as injustiças que os oprimiam e a necessidade de buscar mudanças, através de organizações próprias - o que fez com que passassem a ser identificados como ameaça. Assim, o Programa foi extinto pelo governo militar em abril de 1964, menos de 3 meses após ter sido oficializado.
Por ousar e colocar em prática uma metodologia capaz, não só de instrumentalizar a leitura e a escrita dos iletrados, ou dos alfabetizandos, como ele preferia chamar, mas de incitar a sua libertação, Freire foi acusado de subverter a ordem instituída e, depois de preso, teve que se retirar do país, seguindo o caminho do exílio.


No entanto, em coerência com as próprias ideias e práticas, Paulo Freire soube se fazer sujeito de sua história e acabou por transformar também esta situação, a princípio tão adversa, começando no Chile uma nova etapa de sua vida e obra. Trabalhou como assessor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e do Ministério da Educação do Chile, desenvolvendo, assim, programas educativos para adultos. Também foi no Chile que Freire escreveu sua principal obra: Pedagogia do Oprimido.


Depois de 16 anos de exílio, Paulo Freire voltou ao Brasil, em 1980. Lecionou em importantes universidades como UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e foi, aos poucos, reconhecendo e reaprendendo seu país.


Em 1989, Paulo Freire assumiu, então, a secretaria de Educação da maior cidade do país, o Município de São Paulo. Seu mandato teve como marca a recuperação salarial dos professores, a revisão curricular e, é claro, a implantação de programas de alfabetização de jovens e adultos.


Paulo Freire ganhou vários prêmios, em todo o mundo, como reconhecimento da relevância de seus trabalhos na área da educação. Em abril de 1997, lançou seu último livro, "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa", e em maio do mesmo ano, vítima de um infarto do miocárdio, Paulo Freire acabou falecendo. Em 2012, por meio da Lei 12.612, de 13 de abril de 2012, de autoria da Deputada Federal Luíza Erundina, Paulo Freire foi declarado Patrono da Educação Brasileira.

 

Prêmios e Publicações

Alguns prêmios recebidos pelo autor

• Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento - Bélgica, 1980
• Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento - Bélgica, 1980
• Prêmio UNESCO da Educação para a Paz, 1986
• Prêmio Andres Bello como Educador do Continente - Organização do Estados Americanos, 1992.

Houve ainda uma moção, realizada pela SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em sua 45ª Reunião Anual, 1993, para que Freire fosse indicado ao Prêmio Nobel da Paz

A obra de Paulo Freire está orientada para a emancipação da pessoa humana, para a liberdade dos povos e a justiça social entre os homens, para a democracia autêntica como soberania popular e para a paz entre os cidadãos, num clima de humanização e conscientização. Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Paulo Freire não representa apenas o reconhecimento da obra de uma vida, mas também o reconhecimento de muitas pessoas que lutam pelo quase impossível: dar às pessoas marginalizadas a chance de levar uma existência digna, despertando-as da apatia e fazendo valer os seus direitos. SBPC, Recife, 17/07/93.


Alguns livros publicados:
 

• Educação como prática da liberdade (1967)
• Pedagogia do Oprimido (1968)
• Extensão ou Comunicação? (1969)
• Ação cultural para a liberdade e outros escritos (1975)
• Educação e mudança (1976)
• Cartas à Guiné- Bissau. Registro de uma experiência em processo (1977)
• Conscientização: Teoria e prática da libertação (1980)
• A importância do ato de ler, em três artigos que se completam (1982)
• A educação na cidade (1991)• Pedagogia da Esperança. Um reencontro com a pedagogia do oprimido (1992)
• Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar (1982)
• Cartas à Cristina (1994)
• À sombra desta mangueira (1995)
• Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (1997)
• Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos (2000) – obra publicada após o falecimento de Paulo Freire.

Alguns livros publicados em parceria com outros autores:

• Paulo Freire ao vivo - com professores e alunos da Faculdade de Ciências e Letras de Sorocaba
• Por uma pedagogia da pergunta - com Antônio Faundez
• Essa escola chamada vida - com Frei Beto
• Medo e ousadia: o Cotidiano do professor - com Ira Shor
• Pedagogia: diálogo e conflito - com Moacir Gadotti e Sérgio Guimarães
• Sobre Educação Vol. I e II - com Sérgio Guimarães
• Aprendendo com a própria história - com Sérgio Guimarães
• Teoria e prática em educação popular - com Adriano Nogueira
• Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra - com Donaldo Macedo
• We make the road by walking - com Myles HortonCom exceção deste último livro, em parceria com Myles Horton, todos os outros estão publicados no Brasil, em Português, e quase todos estão, também, editados em inglês, francês e espanhol.

 

Texto publicado originalmente em: http://www.eicos.psycho.ufrj.br/anexos/port_paulfr.htm