Entre agosto e o início de setembro, o Projeto ALFA-EJA Brasil realizou o 4º Encontro Presencial de Assessoria e Formação nos 15 municípios participantes da iniciativa. Com o tema “A EJA e o Viver em Plenitude”, os encontros reuniram gestores da Educação de Jovens e Adultos (EJA), equipes pedagógicas, professores, educadores populares e representantes de movimentos sociais para refletir sobre como a educação pode contribuir para a dignidade humana, o pertencimento, a participação social, o bem-estar e a construção de novas possibilidades de vida.

A programação aconteceu em Belém (PA), Oiapoque (AP), Carauari (AM), Coari (AM), Fortaleza (CE), Caucaia (CE), Icapuí (CE), Alto do Rodrigues (RN), Conde (BA), São Francisco do Conde (BA), Araçás (BA), Brejo Grande (SE), Santa Luzia do Itanhy (SE), Ipojuca (PE) e Cabo de Santo Agostinho (PE). Ao levar a formação para diferentes realidades do Norte e Nordeste, o Projeto fortalece redes locais de educação e amplia o diálogo entre territórios, saberes e experiências diversas.

EJA e a construção de uma vida em plenitude

O tema gerador “A EJA e o Viver em Plenitude” orientou a próxima etapa das formações presenciais e a distância do Projeto ALFA-EJA Brasil. A proposta parte da compreensão de que o direito à educação está relacionado a outras dimensões da vida, como o direito à convivência, à participação social, ao trabalho digno, ao cuidado consigo, com os outros, com o planeta e com o mundo.

A formação foi organizada em dois temas estruturantes. O primeiro, “A EJA, os territórios e a vida em comunidade”, abordou os territórios educativos, as identidades e o pertencimento; as culturas, as memórias e os saberes comunitários; a participação social e o fortalecimento dos vínculos comunitários; e a educação popular como caminho para a transformação social.

Já o segundo, “A EJA e a construção de projetos de vida em plenitude”, propôs reflexões sobre o direito à educação ao longo da vida, trabalho e renda, economia solidária, dignidade humana, saúde integral, bem-estar, educação ambiental, sustentabilidade, permanência, aprendizagem significativa e sucesso educativo.

Práticas que nascem nos territórios

A programação foi organizada para valorizar as experiências desenvolvidas por educadores e educadoras nos próprios territórios. Entre as atividades realizadas estiveram o Seminário de Práticas em diálogo com a EJA e o Viver em Plenitude, dedicado ao compartilhamento de experiências dos profissionais que atuam na EJA em cada município; a oficina A Vida em Plenitude; e, de acordo com o contexto local, um segundo seminário voltado a práticas de EJA desenvolvidas por outros educadores, em diálogo com os Círculos de Cultura.

Para Sonia Couto, educadora formadora do Projeto ALFA-EJA Brasil, o compartilhamento dessas experiências também foi uma oportunidade de aprendizagem coletiva. “Nesses encontros,  promovemos um Seminário de Práticas, onde tivemos a oportunidade de fazer uma escuta aprendente e prazerosa sobre o trabalho desenvolvido pelos educadores e pelas educadoras da EJA nos 15 municípios em que o Projeto atua. As práticas relatadas revelaram o alto índice de comprometimento dos professores e das professoras, gestores e gestoras e representantes dos movimentos sociais”, afirma.

A educadora destaca ainda que a troca de experiências contribui para fortalecer as práticas desenvolvidas nos territórios. “Conhecer e compartilhar o trabalho desenvolvido no chão das escolas e nos espaços de atuação dos movimentos organizados da sociedade civil contribui para o fortalecimento do trabalho docente, para o aprimoramento dos processos metodológicos e para o diálogo com a comunidade, de modo a evidenciar os desafios e as potencialidades educativas no território”, complementa a educadora.

A percepção também é compartilhada por Crislaine Batista do Sacramento, coordenadora pedagógica na Escola Álvaro Rodrigues Vasconcelos, em São Francisco do Conde. "Os Encontros de Assessoria e Formação favoreceram uma reflexão acerca de nossa prática pedagógica. Quais vivências podem favorecer os estudantes para que possam desenvolver suas capacidades em plenitude. Esses momentos permitem que a gente reavalie nossas práticas e incorpore outras estratégias para favorecer a aprendizagem dos educandos e das educandas”, avalia.

Cristiane Caripuna Gomes, professora de EJA no Oiapoque, também destaca os impactos do Projeto no município e concorda com Crislaine: “O Projeto ALFA-EJA Brasil tem causado grandes impactos na nossa cidade. O número de estudantes aumentou significativamente, trazendo perspectivas de um futuro promissor para nossos alunos jovens e adultos, e também para os professores”.

Assessoria articula ações e fortalece políticas de EJA

Além das atividades formativas, os encontros incluíram momentos de assessoria às Secretarias Municipais de Educação (SME) dos 15 municípios  contemplados, com diálogos e encaminhamentos sobre as ações do Projeto que estão em andamento no segundo semestre de 2026. A proposta foi aproximar a formação das demandas concretas de cada território e contribuir para o fortalecimento das políticas e práticas de EJA.

O 4º Encontro Presencial de Assessoria e Formação integra o Projeto ALFA-EJA Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire em parceria com a Petrobras, e dá continuidade às ações de formação, assessoria e acompanhamento realizadas ao longo de 2026. Ao reconhecer as especificidades de cada território e promover o diálogo entre diferentes sujeitos, o encontro reafirma a EJA como espaço de direito, participação, aprendizagem e construção coletiva de uma vida em plenitude.

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