Fortalecimento, resistência e renovação da esperança na aula inaugural da Rede Municipal de Ensino

Moacir Gadotti, presidente de honra do Instituto Paulo Freire, esteve em Rio Grande (RS), com a palestra "A beleza de ser professor(a)!"

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Moacir Gadotti durante sua fala na aula inaugural da Rede Municipal de Ensino de Rio Grande.

 

     O público presente no auditório do Cidec-Sul, na noite de sexta-feira (22/02/19), sem dúvida saiu do espaço com as esperanças fortalecidas e renovadas em um mundo melhor. Na aula inaugural da Rede Municipal de Ensino, o Professor Doutor Moacir Gadotti, presidente de honra do Instituto Paulo Freire, visitou Rio Grande (RS) para falar sobre as perspectivas e missão da docência, diante dos desafios antigos e novos que se colocam à frente dos educadores e educadoras de todo o país neste início de ano letivo.

 

     Compuseram a mesa da solenidade a secretária de município de Educação de Rio Grande, Vanessa Pintanel (representando o prefeito Alexandre Lindenmeyer), a diretora pedagógica da Pró-Reitoria de Graduação da FURG, Simone Barreto (representando a reitora Cleuza Sobral Dias), o vereador André Lemes, representando a Câmara de Vereadores de Rio Grande, Aparecida Reyer, presidenta do Conselho Municipal de Educação e a coordenadora do SINTERG, professora Suzane Barros.

 

     Com a palestra intitulada "A beleza de ser professor(a)!", Moacir Gadotti falou aos trabalhadores e trabalhadores em educação, que com atenção acompanharam suas reflexões. Moacir é um dos maiores ícones da educação brasileira e intelectual ligado ao pensamento freireano, é Mestre em Educação: História, Política, Sociedade, Doutor em Ciências da Educação e presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Paulo Freire.

 

      O educador, que já esteve em Rio Grande na década de 80, conta com qual sentimento recebeu o convite para retornar ao município. "Recebi o convite com muita surpresa, num momento um pouco conturbado de agendas. Mas deu certo e estar aqui, para mim, neste retorno, observando que a cidade mantém um projeto político-pedagógico como o da Rede Municipal, é motivo de muita felicidade. Mesmo com a atenuante do momento de dificuldades das conjunturas nacional e local por que estamos passando", pondera Gadotti.

 

      Para o professor, que neste mês completa 57 anos de magistério, a conjuntura social nos exige força, clareza e movimento para chegarmos no ideal de sociedade que queremos. "Eu penso da seguinte maneira: ' - Quanto mais as coisas podem piorar, mais a gente precisa reafirmar os nossos sonhos e nossas utopias. O que nós podemos esperar do início de um ano letivo? Que comecemos bem o ano, empenhados em realizar estes sonhos, que são sonhos de uma escola com vida, de uma escola feliz onde as pessoas aprendem e se comunicam; uma escola de companheiro e de democracia, uma escola de comunidade e para a comunidade", acentua.

 

      Moacir elogia o percurso trilhado por Rio Grande e pede resiliência para que esse trajeto seja mantido. "Rio Grande tem aqui uma trajetória bonita, a partir daquilo que eu já tive a oportunidade de conhecer. Uma trajetória que precisa ser mantida, que é um caminho de resistência e luta ao mesmo tempo. Resistência para que o obscurantismo não tome conta de nós. Precisamos enfrentar isso com coragem, humildade, aprendendo com a história. Não desistir nunca, porque é isso que faz a diferença entre ser e não ser um educador. Um educador sempre aponta para um mundo um pouco melhor", concluiu.

 

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       A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rio Grande utilizou o espaço de fala para se manifestar contra os crimes ambientais de Brumadinho e Mariana, e convocou a todos para lutar contra as propostas nacionais de retirada de direitos dos trabalhadores. "Este nosso hino, o brasileiro (...) não dá mais pra chamar de 'terra dourada', nós somos terra arrasada, cobertos de lama, Brumadinho e Mariana mostram (...) Não dá mais para permanecer 'deitado em berço esplêndido'. É hora de levantar e ir à luta! Não vão nos calar, nós educadores não podemos nos permitir a autocensura, vamos lutar pela liberdade de cátedra. Na companhia do professor Moacir, que hoje veio nos falar de esperança, quero citar Paulo Freire e dizer: '- Num país como o Brasil, manter a esperança viva, é um ato revolucionário'", arguiu a professora Suzane Barros.

 


 Matéria da Assessoria de Comunicação/PMRG. Publicada originalmente e na íntegra em: http://www.riogrande.rs.gov.br/pagina/index.php/noticias/detalhes+55d9cf,,fortalecimento-resistencia-e-renovacao-da-esperanca-na-aula-inaugural-da-rede-municipal-de-ensino.html#.XHUmpcBKiM9 .Confira!