Capital improdutivo é tema das atividades realizadas pelo IPF e parceiros no Fórum Social Mundial 2018

Mais de 400 pessoas participaram da Mesa de Diálogo e da Conferência com o economista Ladislau Dowbor e convidados.

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     A democracia econômica foi a temática que permeou a Mesa de Diálogo e a Conferência “A era do capital improdutivo: o FSM 2018 e a ampliação das resistências”, que ocorreram, respectivamente, na tarde de quarta-feira (14/03) e na manhã desta quinta-feira (15/03), dentro da programação do Fórum Social Mundial, que acontece em Salvador (BA), até 17 de março.

 

     As atividades foram realizadas pelo Instituto Paulo Freire e pela Cemig, em parceria com CUT, CTB, PUC-SP, IDEC, Contraf-CUT, Fundação Perseu Abramo, Outras Palavras e Autonomia Literária, e tiveram à frente o economista Ladislau Dowbor, autor do livro A Era do Capital Improdutivo, distribuído gratuitamente aos mais de 400 participantes nos dois eventos.

 

MesaLadislau FSM     Ladislau Dowbor, em sua fala, afirmou que “comparado a outras taxas de juros, o Brasil pratica agiotagem. Em alguns países o percentual de juros não passa de 15% ao ano e no Brasil, passa dos 300%”. Atualmente, são 61 milhões de adultos negativados no Brasil, informou o economista. “Não somos contra bancos, mas precisamos que eles cumpram sua função social”. Dowbor fez ainda um alerta, “Não dá para ter economia só entendida por economistas, em geral, contratados por banco, temos que entender de finanças, pois se trata do nosso dinheiro. E concluiu: “Se não entendermos a economia, não entendemos o resto: a desigualdade, a violência”.

 

     Na abertura da conferência desta quinta-feira (15/03), Ângela Antunes, presidente do Instituto Paulo Freire, manifestou repúdio e pediu um minuto de silêncio pelo assassinato da vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, Marielle Franco, e do motorista Anderson Gomes. 

 

     A mesa da Conferência “A era do capital improdutivo” foi mediada pelo jornalista, membro do grupo facilitador do FSM 2018, Carlos Tiburcio, que apresentou cada um dos palestrantes.

 

     Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) exibiu dados que mostram que os bancos seguem lucrando muito no Brasil. Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander, as quatro maiores instituições financeiras do país, tiveram lucro de mais de R$ 65 bilhões, em 2017. “E em contrapartida o que esses bancos retornam para a sociedade? Juros altos, o que acarreta no endividamento das famílias”, explicou Vivian.

 

     Conferência AEradocapitalImprodutivo FSM 150318 145O jornalista Paulo Kliass, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão afirmou que para resolver o sistema fiscal, há necessidade de acabar com os privilégios dos bancos “O sistema financeiro não pode obedecer aos bancos privados. Ele tem que ser objeto de controle público e de controle social com acompanhamento do Estado”, assegurou Kliass.

 

     A advogada Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT, afirmou que o sistema financeiro foi um dos setores que financiou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff para defender o estabelecimento do estado mínimo, por isso não querem que nenhum candidato com projeto desenvolvimentista seja eleito. “Os bancos tratam a população como cidadãos de primeira e segunda categoria. O sistema financeiro tem lado, que não é o nosso lado. É o capital improdutivo mandando no mundo.” Para ela, o caminho é regular o sistema financeiro para garantir desenvolvimento econômico, distribuição de renda e a retomada do papel social desse segmento.

 

     A economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), revelou que muitas famílias no país estão superendividadas, porque tomam dívidas para pagar juros de outras dívidas, já que os bancos indicam o crédito como solução para o endividamento. Ela afirmou que o cenário é preocupante, por isso a necessidade do acesso à educação financeira. 

 

     Participaram ainda da mesa da Conferência o jornalista Antonio Martins, da Outras Palavras e Mario Luiz Raia, da CUT. Na quarta-feira (14/03), a economista polonesa Renata Siuda-Ambroziak, da Universidade de Varsóvia, participou da Mesa da Diálogo, convidada por Ladislau Dowbor e lembrou que os poloneses não se renderam na 2ª Guerra Mundial o que deu origem a um povo resistente e solidário. 

 

 

Final Mesa FSM

 

     Ladislau Dowbor finalizou a Conferência anunciando o curso produzido pela EaD Freiriana do Instituto Paulo Freire, baseado em sua obra A Era do Capital Improdutivo, intitulado “Pedagogia da Economia”, que tem início em 26 de março e inscrições abertas pelo endereço: https://www.eadfreiriana.org.br/inscricoes