Kombou Boly Barry, da ONU, visita Instituto Paulo Freire

Relatora especial para o direito humano à educação da ONU foi homenageada e emocionada declarou: “Nunca imaginei que algum dia em minha vida eu teria esta oportunidade.

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Kombou Boly Barry, relatora especial para o direito humano à educação, da ONU.

Por Ismar Soares

 

     O dia 7 de abril de 2017 foi excepcional para o movimento social, no Brasil e na América Latina. Como resultado de uma articulação liderada por Maria Rehder, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e Vice-Presidente da ABPEducom, a relatora especial para o direito humano à educação da ONU, senhora Kombou Boly Barry, compareceu à sede do Instituto Paulo Freire, na capital paulista.


     Kombou Boly Barry encontrava-se no Brasil para colher informações para seu relatório sobre como o país vem trabalhando para garantir o direito à educação de qualidade para todos os brasileiros. Segundo Rehder, “Madamme Boly procurou a Campanha Nacional pelo Direito à Educação manifestando sua intenção de ter momentos de escuta qualificada com a sociedade civil por meio de nossa rede”. Nesse sentido, foram programados dois eventos, um primeiro, no dia 4, na sede da Ação Educativa e um segundo, no dia 7, no Instituto Paulo Freire (IPF), momento em que seria prestado uma homenagem à visitante, no espaço da biblioteca Paulo Freire.

 

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 Moacir Gadotti e Senhora Boly

     No encontro do Instituto Paulo Freire, a Senhora Boly, ao ser acolhida pelo Prof. Moacir Gadotti, revelou que a única atividade que havia desenvolvido em toda sua vida foi a de alfabetizadora de adultos, inicialmente em seu país, Burkina Fasso e, em seguida, em toda a África, fato que a levou a conhecer e a aplicar a pedagogia freiriana. Dizia-se emocionada por encontrar-se ao redor da mesa central da biblioteca que o próprio Paulo Freire havia construído em seu tempo de exílio: “Nunca imaginei que algum dia em minha vida eu teria esta oportunidade”, declarou, emocionada, diante de uma plateia constituída por lideranças das áreas da educação (da Campanha, do Movimento de educação de jovens e adultos e do próprio IPF) e da educomunicação, esta representada por um grupo de professores e de adolescentes vinculados ao Projeto Educom.geraçãocidadã.2017.

 

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Senhora Boly e Lutegards Freire 

   Das mãos do filho caçula de Paulo Freire, Lutgardes Costa Freire, a Senhora Boly recebeu de presente uma edição de Pedagogia do Oprimido, em Inglês, que fazia parte da Biblioteca de Paulo Freire. Kombou Boly Barry teve a oportunidade de conhecer o trabalho voluntário de educadores populares que se dedicam à missão de alfabetizar adultos a partir da metodologia de Paulo Freire. No final do encontro, o diretor pedagógico do IPF, Paulo Roberto Padilha, fez um apelo à visitante: “Ajude o Brasil a redescobrir Paulo Freire”. Referia-se à necessidade de se fazer frente a uma campanha orquestrada por setores da sociedade brasileira contra a perspectiva emancipadora do pensamento do educador pernambucano.

 

 

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Jovens educomunicadores se fazem presentes

 

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Professor Ismar Soares e os jovens educomunicadores com a Senhora Boly.


     Coube ao Prof. Ismar Soares esclarecer aos participantes do evento que Paulo Freire é considerado um dos precursores do pensamento educomunicativo, em toda a América Latina, pela defesa que fez de uma nova perspectiva para a comunicação, que entendia dever ser dialógica: ”Freire é tido como o pensador que superou a tradicional visão unidirecional de comunicação, em vigor desde Aristóteles” - explicou, apresentando, na sequência, um grupo de professores e alunos de uma escola pública do Município de São Paulo (CEU EMEF Casa Blanca), que trabalha, de forma colaborativa e dialógica, com estudantes de uma escola privada (Colégio Dante Alighieri), instituição que, da mesma forma, havia adotado a educomunicação em sua grade curricular, num trabalho voltado à educação para os direitos humanos, intitulado Educom.geraçaocidadã.2016.


      Quatro adolescentes fizeram a saudação à visitante, explicando a concepção e a metodologia do projeto assessorado pela ABPEducom. A plateia assistiu, na sequência, a dois vídeos, um com legenda em inglês, produzido conjuntamente pelas duas escolas, como resultado final do projeto que as uniu <https://www.youtube.com/watch?v=IvTSqtT1xKk>, e um segundo, agravado em inglês especialmente para este evento por alunos do Colégio Dante Alighieri. A comitiva do CEU-EMEF Casa Blanca foi composta pelas professoras Cristina Barroco Massei Fernandes, Lucilene Varandas e, Isabel Goreth de Souza Chil, assim como pelos adolescentes: Maria Eduarda Silva de Oliveira, Ana Beatriz Nascimento Manoel, Viviane Paixão Prier de Saone, Lucas Eduardo Mendes dos Santos e Lucas Augusto Massei Fernandes.


     A senhora Kombou Boly Barry, em seu retorno a Genebra, levou consigo um DVD com as duas produções videográficas, na expetativa de voltar a vê-los com mais tranquilidade, quando sentisse saudades de Paulo Freire e de seus ensinamentos.

 

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Senhora Boly com a equipe do Instituto Paulo Freire.